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 previsão do futuro

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MensagemAssunto: previsão do futuro   Seg Ago 15, 2011 4:07 pm

Na saga Fundação do autor Isaac Asimov há uma ciência fictícia chamada de Psico-história, um saber mesclando história, sociologia e matemática estatística com o objetivo de prever com exatidão as ações coletivas de populações muito grandes.

A Psico-história baseia-se na idéia de que, enquanto as ações de um indivíduo em particular não podem ser previstas, as leis da estatística aplicadas em grandes populações poderiam prever eventos futuros. Asimov usou a analogia de um gás: um observador possui grande dificuldade em prever o movimento de uma única molécula de gás, mas pode prever o comportamento de massa do gás com alta precisão. Físicos chamam isto de Teoria Cinética.

O personagem responsável pela criação dessa ciência, Hari Seldon, estabeleceu dois axiomas:
1 – a população cujo comportamento será modelado deve ser suficientemente grande
2 – a população em questão deve permanecer ignorante dos resultados da análise da psico-história.

Na prática, é basicamente medir todas as variáveis que podem determinar a realidade, e com isso prever o futuro.
Mas essa idéia cai em questionamento, pois se posso prever o futuro, logo não poderia mudar ele? Asimov também pensou nisso: Ele diz que para alterar o futuro era necessária uma inércia muito grande no Universo, que pudesse mudar as correntes do tempo, algo que tornaria essa possibilidade de pouca praticidade.
Mas se o futuro não pode ser alterado, por que saber? Soa um tanto Oráculo de Delfos…

Aqui entra nossos questionamentos:
A psico-história seria capaz de prever qualquer ação coletiva? A analogia com os gases pode ser considerada, sob um ponto de vista inicial, falaciosa porque gases não possuem manifestação no plano mental. Além de que acreditar que as leis das físicas podem ser aplicadas ao comportamentalismo humano é falsa segundo algumas teorias mais recentes da psicologia.
É possível prever com precisão o movimento conjunto das moléculas de algum gás porque os eventos possíveis desse domínio não estão abertos ao livre-arbítrio ou eventualidades da história.

A manifestação humana é a única que olha para si mesma, que se define e se analisa. Mesmo com massas populacionais de grandes escalas não seria possível prever a ações coletivas, pois a interações de grupos humanos envolvem processamentos mentais. Numa escala tão alta as associações humanas estariam muito fragmentadas, pois as associações que fazemos com outros humanos dependem do nosso universo particular.

Assim a psico-história teria de ser capaz de prever movimentos de grupos menores, para em seguida prever movimentos de grupos maiores. No entanto, para prever movimentos de grupos menores, precisaria prever movimentos de indivíduos que são imprevisíveis. Assim a previsão de ações coletivas em escala galáctica adquiriria um caráter tão imprevisível quanto às ações individuais.
No entanto, essa posição pode encontrar oposição. Pois isso só é válido se acreditarmos que o microcosmo corresponde ao macrocosmo, não para algumas linhas onde a soma das partes é diferente do todo. Em números: 1 + 1 não é 2, 1 + 1 é 1 + 1.

Quanto à previsibilidade do futuro, se um dia pudermos prever-lo, a própria previsão faz parte dos eventos que irão culminar no futuro visualizado. Então, não é porque posso prever o futuro que posso mudá-lo. De fato, se posso prever o futuro qualquer ação minha, no sentido de tentar evitá-lo ou não, somente fará com que ele se concretize porque a mera idéia da previsão do futuro pressupõe uma linearidade determinística. Para prevermos o futuro teríamos de rastrear todas as variáveis e todas as relações entre elas. Se isso fosse possível não poderíamos fazer muito mais do que observar, pois nós mesmos, nossas atitudes e pensamentos são variáveis dentro do sistema. Isso inclui a atitude de “prever o futuro”.

Esse é mesmo paradoxo da viagem do tempo. Não adianta você voltar no tempo para mudar algo, porque de fato você já voltou e mudou.
Douglas Adams ainda vai ser mais profundo nisso. Se viagem do tempo fosse possível, o tempo deixaria de existir. Do mesmo modo que as viajem entre espaços diferentes fazem com que espaços diferentes se tornem mais parecidos entre si (globalização), se as pessoas viajassem no tempo, o futuro iria se misturar com o passado e, de fato, tudo se tornaria uma linha temporal imutável.

Isaac Asimov, mais para frente em sua série Fundação, revelará que a psico-história é falha, porque ela só é capaz de prever as correntes da história determinadas pelas massas, mas não prevê quando um homem sozinho muda todo o destino do Império Galático. Genial como ele assim é.
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